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Espaço generalista de informação e de reflexão livres. Na verdade, o politicamente incorreto afigura-se, muitas vezes, como a mais eficaz solução para se ser humana e eticamente LEAL! Desde 18.ago.2008. Ano X.
Mandou o infortúnio, havido em 28 de Maio passado com a minha mulher, ter de conhecer, com excepcional acuidade, as regras por que se regerá o sinuoso mundo de (algumas) companhias seguradoras.
Um grave acidente de viação, onde a responsabilidade terá sido apurada e imputada com inusitada rapidez, a merecer honras de record do Guiness - afinal, de que valerão os direitos de um "portuga" (vulgo, particular) quando confrontados com os de uma empresa detentora de numerosa frota de pesados de mercadorias e claramente influente em determinada zona geográfica e pela qual até as autoridades policiais nutrirão, ao que parece, acrescida reverência? - obrigou-me a recorrer ao Instituto de Seguros de Portugal (ISP).
Vem tudo isto a propósito de notícias ultimamente publicadas em diversos órgãos comunicação social, mormente no programa "Nós Por Cá", da SIC. Em várias situações, cidadãos anónimos terão recorrido ao ISP enquanto Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões a fim de relatar práticas e procedimentos tidos, pelo menos, como discutíveis.
Como em muitas dessas situações as respostas ou não vieram ou foram claramente insuficientes para as exigências expectáveis, ter-se-ão levantado questões de índole diversa sobre a postura daquela Autoridade e suas efectivas atribuições legais.
No caso da minha mulher, que
esteve mais de duas horas encarcerada na sua viatura em consequência de um abalroamento por um pesado de mercadorias com reboque - não podendo por isso ser auscultada na ocasião do sinistro, facto que, segundo consta, funcionou em seu desfavor pois, nem no Hospital onde esteve longas semanas, foi alguma vez recolhido o seu depoimento... (já sabem: em caso de acidente que resulte em fracturas da anca, costelas, cervical, pernas e braços não vale ficar no carro! Dor é p'ra sentir no fim!Importa é marcar presença [erecta] nas diligências junto de potenciais testemunhas dê por onde der!) - deparámo-nos com desagradável situação de a (até então) nossa companhia seguradora, a SEGURO DIRECTO Gere, SA, pertencer, desde 2005, ao Grupo AXA, precisamente a Seguradora do pesado envolvido no acidente em apreço. Ele há coisas!
Porque a tramitação processual terá sido deveras... exótica - deixemos o Tribunal pronunciar-se a seu tempo sobre esta e outras matérias... - ao ponto de a vítima nunca ter sido ouvida (?!) pelo perito, denunciámos, por exemplo, ao ISP - com
a competente prova documental - o facto de aquele ter-se feito passar por funcionário da SEGURO DIRECTO para sacar informações confidenciais respeitantes à minha mulher.
Supostamente exterior às partes e aos interesses em contenda, pareceu-nos sempre que as averiguações (na sua forma e conteúdo) levadas a cabo por aquele perito estariam, desde o início, inquinadas ao ponto de presumirmos que, definida uma eventual conclusão, se terá trabalhado para corroborar uma determinada versão do acidente, porventura "mais em conta".
Aparentemente abandonada pela sua Seguradora, em razão de uma alegada situação de menoridade da SEGURO DIRECTO no seio do Grupo AXA, a minha mulher, mais do que reclamar (sem êxito) junto da sua seguradora pelo modo como sentia os seus direitos (processuais e outros) gravemente atropelados, dirigiu-se também ao que julgava ser uma Autoridade de SUPERVISÃO. É a mania da consciência cívica...
A esta distância, estarei - se calhar - mais tentado
a pensar que poderemos estar mais perto de um Instituto DOS Seguros de Portugal do que propriamente perante uma Autoridade de Supervisão de Seguros. Sobre a questão do perito (?), que assinou comunicação como sendo funcionário da SEGURO DIRECTO, respondeu o ISP:»(...) somos a informar que desde o ano de 2005 a Seguro Directo Gere, Companhia de Seguros, SA, passou a integrar o Grupo AXA, pelo que é natural que tenha funcionários em comum.» Isto é uma pérola. Não tem preço. Nós por cá somos assim...
Pensava eu que a acção dos peritos não estava acoplada a relações laborais com esta ou aquela seguradora pelo que, quando os próprios serviços de atendimento da SEGURO DIRECTO, perante o exposto, reconhecem estar perante "comportamento altamente irregular", o ISP parece remeter tudo e todos para a esfera do "natural". Estamos conversados.
Em consequência, aqui deixo várias reflexões:
Fotos do estado da viatura da m/ mulher em consequência do acidente ocorrido a 28/MAI/2009.